segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

PALMER DE MARIA

Palmer de Maria
Palmer de Maria é daqueles tatuadores que você vê os trabalhos realizados no álbum e de cara já fica com vontade de sentar na maca e tatuar, tive a oportunidade de ficar um dia ao seu lado, na convenção de Jundiaí deste ano e conhecer um pouco esta incrível pessoa.
Nascido em São Bernardo em 1976, Palmer cresceu e vive atualmente em Santo André, região do ABC de São Paulo.
Desde pequeno, Palmer sabia que não iria trabalhar com nada “padrão”, a ideia de sentar em um escritório todos os dias e fazer a mesma coisa sempre assustou. Sua infância foi marcada pela prática do skate e também pela ligação com a música, aprendendo a tocar bateria aos 13 anos de idade, 3 anos mais tarde começou a lecionar e ficou fazendo isto por quase 10 anos. Aos 23 anos, ele perdeu seu pai e começou pensar à respeito de um trabalho que realmente desse prazer, foi aí que começou a estudar a arte de tatuar.
Abaixo você pode ver uma entrevista exclusiva que Palmer de Maria cedeu ao blog Tattoo Tatuagem.
Tattoo Tatuagem: Palmer, quando surgiu o interesse pela ilustração?
Palmer de Maria: Desde muito pequeno sempre desenhei, fiz alguns cursos quando criança, mas quando virei aprendiz para ser tatuador que resolvi levar a sério, e fiz mais alguns cursos de desenho que me ajudaram muito.

Palmer de Maria

Tattoo Tatuagem: A tatuagem foi consequência deste interesse ou você sempre teve intenção em ser tatuador?
Palmer de Maria: Sempre gostei muito de tatuagens, comecei a me tatuar aos 17 anos, mas aos 24, quando fiz uma no pulso, prestei atenção em como foi feita e percebi que seria possível aprender essa arte.
Tattoo Tatuagem: Você pode nos contar o início da sua carreira? Houve alguma ajuda (alguma pessoa), alguma dificuldade?
Palmer de Maria: As dificuldades foram as mesmas de todos que começam a fazer qualquer coisa, falta de grana, de confiança, mas sempre tive o apoio da minha família, mas preciso agradecer ao Robson, mais conhecido como Tio Chico, de Santo André, que me consentiu ser seu aprendiz por 2 anos, e aos donos dos estúdios dos quais trabalhei, Enio Conte do Klan Tattoo, onde trabalhei por 2 anos e meio, e ao Marcelo Lobão (Lobão Tattoo), onde trabalho atualmente desde 2008.

Palmer de Maria

Tattoo Tatuagem: Hoje, você se considera especialista em algum estilo de tatuagem? Como você define este estilo?
Palmer de Maria: Como a maioria dos tatuadores brasileiros, sempre fiz um pouco de tudo, mas hoje procuro puxar tudo que meus clientes trazem para a minha zona de conforto. Não consigo definir dentro de um estilo o jeito que desenho e tatuo, mas minhas influências principais são o Neo-Traditional, o Oriental e o Realismo.
Tattoo Tatuagem: Você pode explicar a diferença entre “Neo-Tradicional” e “Tradicional”?
Palmer de Maria: Ao meu ver, o tradicional, que também chamamos de “old-school” é baseado nos desenhos clássicos americanos, onde tudo era bem simplificado e com bastante “Boldline”, já o “Neo-Traditional” é uma modernização disso, adequando com as técnicas atuais de tatuagem, e também misturando estilos, que é o que procuro fazer.

Palmer de Maria

Tattoo Tatuagem: Como você realiza a criação das tatuagens para os clientes?
Palmer de Maria: Pra mim o mais adequado é que a pessoa chegue com a idéia e o local definido para tatuar, tiro o molde do local e crio o desenho baseado na conversa que tivemos.
Tattoo Tatuagem: Você viajou para fora do país? Como foi a experiência? Você ficou quanto tempo?
Palmer de Maria: Desde 2008, já viajei 7 vezes pra fora do país, a maioria das vezes para a Noruega, e nas duas últimas comecei também ir para Amsterdam, na Holanda. Sempre fico no mínimo um mês e no máximo três trabalhando por lá. Posso dizer que foi das melhores coisas que me aconteceram dentro da profissão, pude conhecer outros artistas, conhecer um pouco da cultura de cada lugar, além de experienciar diferentes tipos de pele e gostos de clientes.

Palmer de Maria

Tattoo Tatuagem: Tatuar pessoas de fora do Brasil é mais difícil? Como você vê o mercado da tatuagem dos países que você visitou?
Palmer de Maria: A melhor coisa de trabalhar no exterior, pelo menos pros lugares que fui, é a diferença dos clientes. São países dos quais a arte da tatuagem já é muito mais comum e aceita, e os artistas são mais respeitados como artistas, e não prestadores de serviço, e o fluxo de clientes é bem maior também.
Tattoo Tatuagem: Em questão de aprendizados, quais foram os mais marcantes para você nesta viagem?
Palmer de Maria: Cada dia de trabalho no exterior eu aprendo alguma coisa, tive a oportunidade de trabalhar ao lado de um grande tatuador, que hoje considero um de meus melhores amigos, chamado Trond Kjorkleiv, mais conhecido como Megatrond, um grande cara que tatua demais e me passou muitas dicas, meu trabalho evoluiu muito desde que nos conhecemos. Fora isso, o gerenciamento e a postura dos estúdios lá fora são algo admirável e dignos de se tentar aplicar no trampo daqui.
Também participei de algumas convenções por lá, na Noruega e na Alemanha, e isso sim foi o que vivenciei de mais diferente. Mais uma vez, os tatuadores são tratados como atrações principais nos eventos, com sala VIP para descanso com comida e bebida à vontade, fornecimento da maior parte dos materiais necessários para trabalharmos, traslados gratuitos pros artistas, fora o espírito de festa dos participantes, aproveitando para conhecer novos profissionais de outros lugares do mundo, trocando experiências e contatos, e nem um pouco preocupados com premiação, aliás quem inscreve as tatuagens pra concorrer são os clientes, então muitas vezes você nem sabe que está concorrendo.

Palmer de Maria

Tattoo Tatuagem: Para finalizar a entrevista, Palmer, você tem alguma inspiração no seu dia-a-dia para as tatuagens?
Palmer de Maria: A tatuagem está constantemente presente na minha vida, a todo momento estou pensando nisso, desde quando estou assistindo tv, até quando vejo alguém tatuado na rua. A música também tem grande influência na minha produtividade e criatividade. Estou sempre pesquisando novos artistas e absorvendo o máximo de influências possíveis. O estudo nunca pára.
Agradeço pelo interesse e pela oportunidade de divulgar meus trabalhos. Agradeço também as pessoas e empresas que estão apostando no meu trabalho, que sãoPixel Art BooksADT e Tintas Supreme. Meus companheiros de estúdio Marcelo Lobão e George Germano e minha família pelo apoio de sempre.
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