quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

INFECÇÕES EM TATUAGENS POR BACTÉRIA NOS E.U.A.

Infecções por Mycobacterium Chelonae
Uma reportagem publicada no portal G1, na página do programa Bem Estar, fala de uma revista científica que atribui a causa de uma onda de infecções na pele a uma tinta para tatuagens. (Veja a matéria aqui)
Porém, não consegui encontrar a pesquisa mencionada por eles para saber qual é o grau de conhecimento dos cientistas a respeito do processo. Pessoalmente, achei bastante antiético por parte do Bem Estar culpar a tinta para tatuagem logo na chamada para o artigo – contribuindo, mais uma vez, para aumentar o preconceito contra a arte.
Apenas no fim do texto há uma menção à suspeita de ser a verdadeira causadora da infecção: a água de torneira! E uma das primeiras coisas que deve ficar bem clara é que o processo de diluição da tinta não diz respeito aos fabricantes. Diluí-la costuma ser uma escolha do tatuador.Os tatuadores podem encontrar, no mercado, diversas intensidades de tons de preto disponíveis. Mas, para criar um efeito de sombra como o das tatuagens realistas, não se usa uma tinta cinza ou uma “tinta sombreada pronta”, digamos. A tinta preta deve ser diluída, para que se possa aplicá-la em camadas. Quanto mais escura a sombra, mais camadas são aplicadas – e, sim, mais dor a pessoa vai sentir.O problema das infecções é causado pelaMycobacterium chelonae(obviamente, existem outras bactérias que podem causar reações, mas o caso em específico mostrado nas fotografias envolvem esta), que está presente na água de torneira.Algumas das infecções têm apresentado melhora com tratamento por antibióticos, mas, nos casos mais graves, é necessária até mesmo a remoção da pele atingida!
Infecções em tatuagens
O fato é: basta qualquer um dos materiais envolvidos na tatuagem entrar em contato com a água de torneira para estar contaminado. E, não se assuste, é muito comum que a tinta aplicada seja diluída na água de torneira ou filtro de água – diga-se de passagem, nunca vi um estúdio que usasse soro fisiológico ou água boricada para diluir a tinta, o que seria o mais indicado. O motivo? Isso gera mais gastos.
E no caso de países como os Estados Unidos e outros da Europa, o uso da água de torneira seria ainda menos questionado que no Brasil, pois é uma água tratada e própria para consumo direto, diferente do constatado em grande parte dos estados brasileiros.
Quanto à pré-diluição da tinta pelo próprio fabricante, acredito que a melhor solução tenha sido a encontrada aqui no Brasil: exigir que a tinta passe por uma avaliação prévia da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Além disso, também já não são permitidas agulhas soldadas no estúdio. Elas devem ser compradas já esterilizadas e todas as suas partes devem ser descartadas. (O que acontecia antes era o reaproveitamento da haste, descartando apenas as agulhas.)
Infelizmente, boa parte do processo de assepsia de um estúdio é desconhecida pelos clientes. Isso acontece mesmo naqueles estabelecimentos já antigos e altamente respeitados! Ao ver o material pronto para ser utilizado, o cliente não sabe se as condições de limpeza foram totalmente adequadas, e isto já começa pela própria regulagem das autoclaves e estufas. Às vezes, mesmo o profissional qualificado desconhece que, por exemplo, estufas pequenas não chegam a uma temperatura alta o suficiente para matar todos os microrganismos, ou que abri-las durante o período de esterilização – sete horas (sim, nada menos que sete horas!) – atrapalhará o processo. Daí se recomenda que todos façam também um curso específico de esterilização ou, preferencialmente, de instrumentação cirúrgica!
Minha dica para quem deseja fazer um piercing ou uma tatuagem é a seguinte: certifique-se de que TODOS, absolutamente TODOS os instrumentos estejam lacrados, e que os pacotes sejam abertos NA SUA FRENTE. Se o estúdio usa uma estufa no lugar de uma autoclave, RISQUE-O DA SUA LISTA, a não ser que o profissional tenha um certificado de algum curso que o torne apto a manusear estufas e instrumentos que necessitam esterilização.
Se o tatuador colocar um pote de líquido sem cor junto com as tintas, pergunte-o se é água. Se for, solicite-o que use, no mínimo, soro fisiológico no lugar (antes de ir à sessão, compre uma garrafa lacrada e leve você mesmo!).
A sua saúde é importante demais para correr riscos!
Fonte: ModBlog