quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MATTEO PASQUALIN E O REALISMO PRETO E CINZA.

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O realismo preto e cinza do tatuador Matteo Pasqualin impressiona, é daquelas imagens que te obrigam a parar a revista folheada. Absorvem sua atenção e te levam a passear nos detalhes, nos contrastes e na profundidade; te fazendo acreditar que dá pra ver mais além. Foi exatamente assim que li pela primeira vez a respeito desse tatuador italiano.
Como tantos outros artistas do meio, Matteo, que sempre gostou de desenhar, começou a tatuar meio de brincadeira e apenas quando não estava no trabalho, que na época, era em uma fabrica. “Há 17 anos atrás, estava com 23 anos e pra mim, a tatuagem era uma brincadeira, não tanto pelas energias aplicadas, mas porque nunca teria pensando que pudesse se tornar profissão.”
Há 10 anos,  conseguiu abrir seu próprio estúdio, o Milano City Ink,  e tendo como base o realismo, decidiu que queria se dedicar inteiramente aos retratos, abrindo mão de propostas para tatuar outros estilos. Embora reconheça que seu começo eclético contribuiu muito para o aperfeiçoamento do seu trabalho.
Matteo Pasqualin
Posto que seus trabalhos realísticos de uma maneira geral são impressionantes, é notória a sua predileção pelo preto e cinza. Pasqualin também afirma sentir dificuldades em reproduzir retratos coloridos. “95% dos meus trabalhos são preto e cinza. Primeiro, porque gosto mais e, em seguida, porque na minha formação é forte a presença do desenho com lápis. Admito também que sinto certa dificuldade em lidar com as cores, porque não tendo uma base pictórica, percebo os limites que tenho com as misturas, as combinações e os contrastes.”Para acrescentar, ele acredita que as pessoas devem se adaptar aos locais em que vivem. No seu caso, a área mediterrânea, onde as tatuagens coloridas sofrem mais agressão devido a proximidade do mar.
Outro ponto que ele ressalta, é a importância da escolha correta do local do corpo a ser tatuado, pois existe o risco de ter a tatuagem deformada pela forma do próprio membro. Ele explica que a pele é muito diferente de uma folha de papel, isso implica que as cores do pigmento podem sofrer alterações, devido ao tom da pele, agressão das intempéries, pelos. Portanto, quanto a localização da tatuagem, Matteo não teme parecer inflexível: “Algumas vezes me imponho para que as tatuagens sejam feitas em determinadas áreas, onde ficam fixas. No toráx, por exemplo, a linha alonga-se e deforma-se em um instante, acho um trabalho desperdiçado.” Enfatiza.
Depois de fechar um braço com o cenário de Veneza, Pasqualin tem recebido cada vez mais propostas do tipo: paisagens, arquitetura, cenas de filme. A harmonia criada entre as cenas é tamanha, que faz acreditar que foram feitas de uma só vez. E surpreende ao afirmar que os fechamentos que ele tatuou e tatua não são programados anteriormente, são como um quebra-cabeça. Em cada sessão, ele pensa no que será feito, não programa o que virá em seguida. O resultado final é uma surpresa. “Para tatuagens como essa, não planejo nada, mas sigo o instinto. O planejamento para mim é uma obrigação, torna tudo mais difícil e o resultado nunca era o que esperava, perde-se o aspecto artístico.”
Dmitriy Samohin , Den YakovlevAndy Engel e Carlos Torres são alguns dos nomes que inspiram esse artista, que tem ganhado muitos prêmios na sua categoria e elevado o estilo realístico ao topo.
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PEROSIN, Stefania. Matteo Pasqualin: Intuition and italian flair.Tattoo Energy Magazine, Milão, n. 84, p. 26-33, set/out. 2013.